15 de abril de 2011

"Um peso, duas medidas"

Assunto cansativo esse do Bolsonaro X Preta Gil. Mas, a reação do povo (ou da parte do povo que tem a opinião "correta") me fez escrever este post. 

Quanto mais românticos, mais bonitos são os discursos. E mais empolgantes, e mais apaixonados e, consequentemente, mais cegos. Ora, não é porque o deputado Jair Bolsonaro diz algumas asneiras que devemos julgar antecipadamente tudo o que sai da sua boca. Aliás, tenho um nome super in para isso: preconceito. Não estou dizendo que as pessoas não possam discordar com o que o deputado diz mas, para discordar, é necessário, primeiro, ouvir. E eu duvi-de-o-dó que a maioria dos que falam tenham assistido ao programa. Eu assisti e vou confessar que ri muito. Aliás, eu sempre rio com o Bolsonaro. Não por ser má, mas por achá-lo um personagem engraçadíssimo. E não se enganem: concordo com muitas das coisas que ele diz. Talvez, se ele não fosse tão caricato, as pessoas o ouvissem de outra forma. Mas, da mesma forma que concordo, também discordo de muita coisa, como ele dizer que homossexualismo se resolve com porrada e que numa família de pais presentes, o filho jamais será homossexual. Outro ponto de total divergência é ele ser a favor do aborto, por exemplo. 

Agora, vamos ao problema que criaram. Ao responder à pergunta da Preta Gil, ele deu uma resposta tão descabida que, na hora, duas coisas me vieram à cabeça: ou a edição trocou a resposta, ou ele (como havia respondido várias perguntas sobre gays) não entendeu a pergunta. Dava para notar, perfeitamente, que a resposta não se encaixava na pergunta. Quem não notou estava possuído pela cegueira da paixão ou pela má-fé mesmo.

A oportunista da Preta Gil que, convenhamos, não é nada além de ser filha do Gilberto Gil, aproveitou-se da situação para fazer um drama e ganhou o apoio da grande massa de cabeça lavada. O que sempre me chama  a atenção nesses casos é o fato de as pessoas repetirem coisas sem analisar. E depois, a mente fechada sou eu! Me enoja o fato do politicamente correto ter tomado conta da sociedade de tal forma, que tudo o que ensaie umas braçadinhas contra a maré (vermelha) é considerado crime, ainda que não o seja perante a lei. Querem cassar o mandato do Bolsonaro apenas por ele falar o que pensa. Será que as pessoas não percebem que isso é cometer o mesmo "mal" que elas dizem estar combatendo? Até onde será que isso vai? 

Ainda no mesmo programa, Jair Bolsonaro disse que nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay. Isso causou a reprovação de alguns telespectadores e um certo desconforto no Marcelo Tas, que tem uma filha gay. No programa seguinte, ele mostrou uma foto da filha dizendo que tinha muito orgulho de ser pai da Luiza . Notem que ele não disse que tem orgulho da Luiza ser gay, ele apenas tem orgulho da sua filha. Agora me digam, qual é a lógica de alguém ter orgulho de ter um filho gay? Os pais têm orgulho de ter filhos decentes, honestos, responsáveis, de bom caráter, independente de serem gays ou héteros. Quanta bobagem! Não esqueço também que, certa vez, perguntaram ao Tas, no twitter, se ele era gay. A sua resposta foi: Sou hétero. Ninguém é perfeito! Agora me digam se fosse o Bolsonaro falando de um dos seus filhos: Sim. Ele é gay. Ninguém é perfeito! Que babado não seria, hein? Caso de homofobia explícita! Inadmissível! 

"Um peso, duas medidas", definitivamente, não dá para mim. 

5 comentários:

  1. A mesma pessoa que julga é aquela que não tem paciência para ouvir e que não gostaria de ser julgada. O ser humano é dotado de livre arbítrio se cada um se preocupasse mais com a sua vida e menos com a alheia o mundo seria um lugar muito melhor. Na minha concepção pouco importa se é gay, hétero, preto, amarelo ou verde que seja, me importa quem é aquela pessoa e seu caráter. Agora essa modinha de politicamente correto é algo a ser pensado, milhares de pessoas alienadas indo para o lado que o vento vai sem ter opinião própria ou base para discutir o assunto. Post bem estruturado como sempre, adoro seu blog!

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  2. Já pensou? “Eu me orgulho das posições sexuais que o meu filho põe em prática na cama!”

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  3. Você tem o meu apoio em quase tudo. Exceto na descrição da Preta Gil. Não concordo que ela não seja nada. Cada pessoa é especial para aqueles que a rodeiam, para si mesma, para a lógica que move o universo. Bem, tenho uma visão meio esquisitinha sobre esse assunto.


    Voltando ao foco, acho que assim como Bolsonaro tem o direito de falar o que pensa, inclusive bobagens, Preta tem o direito de se sentir ofendida com as palavras que ouviu. Cada atitude gera uma consequência.


    Qualquer pessoa se sentiria mal por ouvir críticas ao seu comportamento amoroso, à sua formação, à maneira como foi criada. Nesse caso, acho que a ofensa atingiu indiretamente Gilberto Gil, o que feriu Preta. Imagina se falassem algo semelhante dos nossos próprios pais?


    Porém, acho que processar esse político por racismo é um exagero, já que está claro que ele não compreendeu a pergunta. E por homofobia também. Concordo com você nessa parte. É simplesmente uma das milhares de situações cotidianas em que uma pessoa é ofendida gratuitamente, e Preta deveria saber lidar com ofensas verbais, a essa altura do campeonato. Um bom arsenal de palavras bélicas resolveria o problema. Estão fazendo muito barulho por (quase) nada...

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  4. Quando falei q Preta Gil não é nada, estava me referindo ao seu talento artístico. Sua opinião sobre o assunto não é tão esquisitinha assim. É lógico q ela deve ser muito querida por aqueles q a rodeiam.

    Enfim, vc disse tudo: "Preta deveria saber lidar com ofensas verbais, a essa altura do campeonato." Ainda mais quando aceita fazer perguntas ao grosseirão do Bolsonaro. Ela, com certeza, já esperava por uma resposta "polêmica", pois sabe q o Bolsonaro não gosta dela. Aliás, ela não deve ter sido escolhida à toa, né?

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  5. Ih, acho que me expressei mal, Rafa: minha visão esquisitinha é sobre a lógica das coisas, não sobre o fato de Preta ser querida por familiares e amigos. E é esquisita especialmente para mim, porque não consigo entender bem como funciona. Para outra pessoa, pode ser algo simples.


    Sobre Preta, também não simpatizo muito com ela e entendo agora o que você disse: ela realmente não possui nenhum talento artístico. Só que nessa situação, eu também ficaria ofendida (não a ponto de querer processar o deputado).


    E o que quis dizer com "você tem meu apoio em quase tudo" foi: eu gostaria de ter escrito esse seu texto; mudaria apenas o trechinho em que a Preta é descrita e acrescentaria que o sentimento dela parece fidedigno, pelo menos para mim.

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