14 de março de 2011

"Thoughtcrime does not entail death: thoughtcrime is death"

Eu poderia resumir esse post em duas sentenças:
1- Não acho justo que a homofobia seja considerada crime.
2- Sou contra o "kit gay" nas escolas.

Mas, se fizesse isso, a maioria das pessoas teria uma visão simplista e me rotularia de homofóbica, conservadora e burra. Vou começar dizendo que sim, posso até ser um pouco conservadora. Mas, definitivamente, não sou homofóbica. E não digo isso por achar que o homofóbico seja um criminoso ou para fazer média com a minoria da moda. Digo, simplesmente, por se tratar da verdade. Para explicar melhor, recorro ao dicionário:

(ho.mo.fo.bi. a)

sf.
1 Psic. Aversão ao homossexual ou ao homossexualismo.

[F.: homo + -fobia.]

Não me parece nem um pouco justo alguém ser preso por isso. A liberdade de pensamento (ou de sentimento) é uma das poucas que ainda nos restam. Isso não pode acabar assim, por um decreto. É um absurdo!

Há quem diga que a homofobia em si não será punida, apenas o ato criminoso praticado em razão dela. Aí vem a minha velha e simples constatação: para a ação sempre houve penalidade. Agredir o outro física ou verbalmente é crime sim! Mas não deve ser agravado por ser contra um homossexual. Não há lógica nenhuma nisso! É algo redundante e injusto.

Li o PL 122 e vi coisas absurdas, como pena de 2 a 5 anos de reclusão a quem "impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público" (art. 8º A). Se eu entendi direito, o dono de um estabelecimento vai ter que achar de bom gosto ver um casal homossexual se beijando, se amassando e outras coisas mais que não são especificadas. "Restringir", nesse contexto, é uma palavra perigosíssima. Eu, particularmente, não acho nada elegante ver um casal heterossexual se excedendo nas carícias em público, mas é lógico que vindo de um casal homossexual é muito mais chocante. Isso não é homofobia, é apenas ausência de hipocrisia, não se enganem! Olhem só o que diz o artigo 6º: "Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: pena - reclusão de 3 a 5 anos". Quer dizer então que uma escola não pode deixar de recrutar, para dar aulas a crianças, um professor travesti, por exemplo. Hã?! O projeto ainda coíbe atos "discriminatórios de ordem moral e filosófica". Trata-se de "crimideia*"? Será isso?

Como se não bastasse o tal do PL 122, que foi desarquivado pela fanfarrona Marta Suplicy, ainda querem implantar nas escolas públicas o "Kit gay", que seria um material de apoio ao combate à homofobia. Incluso no material, está o vídeo abaixo:



Sinceramente, não sei quem nem em que esse vídeo pode ajudar. Acredito que os homossexuais passem por problemas muito mais sérios do que o uso de banheiro feminino ou masculino, o uso de esmaltes ou nome fictício. Esse vídeo faz o problema parecer menor do que realmente é. Traz questões ridículas, que ridiculariza o garoto aspirante a travesti e impõe às pessoas o absurdo de ter que aceitar tudo o que seu mestre mandar. Agora veja se os professores, além de tudo, ainda vão ter que se prestar ao papel de chamar os alunos pelo nome que eles impuserem. Então, se um aluno achar que é um cachorro, a professora vai ter que chamá-lo de Totó? Tenham a santa paciência! E os pais, será que serão avisados? Será que assistirão ao vídeo antes? E qual será o real motivo de colocar isso nas escolas?

O presidente da ABGLT, Toni Reis, diz que muitos homossexuais são vítimas de bullying, e que por isso deixam a escola (engraçado é que as universidades estão cheias de homossexuais, muitos inclusive são alunos de destaque). Agora, o que me diria Toni Reis sobre os gordos, os narigudos, os muito magros, os sardentos, os usuários de óculos e aparelho dentário? Todos são vítimas de bullying. O bullying sim, deve ser coibido, independente de quem seja a vítima. Parece-me muito mais justo. Por que uma pessoa que maltrata, que agride um homossexual é mais criminosa do que a aquela que agride um gordo ou narigudo? Por que não lançam uma campanha de respeito ao outro? Não somos todos "iguais"? Ou será que agora os homossexuais são mais iguais que os outros?

Ainda segundo Toni Reis, todos os que são contra o projeto são homofóbicos e fundamentalistas religiosos. Ou seja, ninguém tem o direito de pensar diferente dele. Como eu sou contra isso tudo, gostaria de esclarecer que não tenho aversão ao homossexualismo ou ao homossexual, portanto, não sou homofóbica. Não sou, nunca fui e acho difícil que venha a ser religiosa. Não acho que os gays vão arder para sempre no mármore do inferno. Mas acho que, da mesma forma que o homossexual tem o direito de assumir sua homossexualidade e de esculhambar com a igreja, também os religiosos têm o direito de professar sua crença, a não ser que esta agrida física ou verbalmente o cidadão homossexual (o que é totalmente diferente de criticar o homossexualismo). Ser contra ou a favor do homossexualismo é direito de todos. Não podemos agora ser punidos por nossos pensamentos.

A impressão que me dá é que há uma espécie de vingança no ar, uma revolução, que não busca em momento algum igualdade, mas inversão de valores. Querem colocar na cabeça das pessoas que o mundo é gay. Não é! O mundo é hetero, a natureza é hetero e assim permanecerá. E não há mal nenhum nisso, como querem colocar. É lógico que a homossexualidade existe, que discussões sobre o assunto são necessárias. É evidente que os gays merecem respeito tanto quanto qualquer cidadão, mas não se pode enfiar o homossexualismo goela abaixo. Pior ainda, nas escolas! Primeiro, inventaram o absurdo da máquina de camisinha e cartilha do sexo nas escolas. Depois, inventaram o crime da palmada. Agora, é o "kit gay". Quanto absurdo! E o pior dos absurdos é enquadrar o cidadão contrário a isso no "crime do pensamento".

As militâncias costumam transformar integrantes de minorias em heróis, mitos. Da mesma forma, transformam seus opositores em vilões. Não me engano com um gay engraçado que tem um ar de inocência, nem com um negro, aparentemente sofredor, vítima do sistema. O que me encanta nas pessoas é a individualidade, não o coletivo. Desta forma, posso me encantar por gays ou heteros, brancos ou negros, pobres ou ricos, mas somente por serem quem são e não o que são.

A minha maior preocupação nessa história toda não é quanto às penas, pois sei que as leis não costumam ser cumpridas por aqui. O que me preocupa mesmo é o "crimedeter**" e o "negrobranco***". Afinal de contas, eu sou uma ideocriminosa.


* Crime ideológico, pensamentos ilegais.

** "Faculdade de deter, de paralisar, como por instinto, no limiar, qualquer pensamento perigoso. Inclui o poder de não perceber analogias, de não conseguir observar erros de lógica, de não compreender os argumentos mais simples e hostis ao Ingsoc, e de se aborrecer ou enojar por qualquer trem de pensamentos que possa tomar rumo herético.Crimedeter, em suma, significa estupidez protetora."

*** "Como muitas outras palavras em Novilíngua, esta tem dois sentidos mutuamente contraditórios. Quando é aplicada a um adversário, é o hábito de se afirmar que o negro é branco, apesar dos fatos evidentes. Quando aplicada a um membro do Partido, simboliza a lealdade de afirmar que preto é branco, se isso for exigido pelo Partido. Também significa acreditar que o preto é branco, ou até mais, saber que o preto é branco, e acreditar que jamais foi o contrário."

7 comentários:

  1. Alguém me explica por que é que o governo tem que gastar dinheiro para mostrar filme de beijo lésbico às crianças?! A internet e as novelas — esses meios de “opressão do proletariado” — já não fazem isso por nós, de graça?!

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  2. Ah, que absurdo!!! Riram dele/dela na escola!!! Ele/ela nem foi no dia seguinte!!! Me poupe! Até parece que ninguém nunca riu de mim na escola. Isso (dentro ou fora da escola) é parte essencial da interação e aprendizado social. O que nunca aconteceu foi meus pais deixarem eu não ir para a escola só por birra.

    “Não fui para a escola no dia seguinte porque riram de mim!” — ISSO SIM é viadagem!

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  3. Eu não aguentei com o modo desse secretário falar. Que homem ridículo!

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  4. Que absurdo!! Concordo com tudo que escreveu, na verdade não tinha visto esse vídeo, não sabia desse "kit" ridículo! Riram tanto de mim só porque eu era a branca azeda, leite alimba, transparente.... eram muitos os apelidos que empregavam à minha cor; governo e nenhum movimento fizeram nada e tampouco queria isso, só porque eu era a segunda branca na sala de aula, em uma escola no bairro da liberdade na minha linda Salvador de muitos mestiços. Nunca deixei de ir à escola por isso, nenhum trauma. A escola deve cumprir o seu papel.
    Beijos

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  5. Meu Deus! Acabei de decidir que meus filhos serão educados em casa...

    Não quero pagar pela educação que irá transformar um indivíduo saudável em uma marionete padrão, com ossos de vidro e incapacitado para reagir a críticas e obstáculos. Acho que consigo resultados melhores sozinha. E se eu ficar milionária daqui até lá, ainda contrato uma governanta poliglota para disciplinar meus filhos do jeito que eu quero. #sonhar é bom.


    Ah, seu olhar para questões da atualidade é bastante criterioso e aguçado, Rafa. Esse texto é grande, como o tema que ele abarca. Muito bom!

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  6. Adorei o texto,tenho amigos gays, mas concordo com a liberdade de sentimentos, contanto que não fira a liberdade do próximo, nossa sociedade ainda precisa de muitos reajustes, o certo não é colocar kits gays, mas porque não educação sexual, uma verdadeira educação moral e cívica, ensinar nossas crianças a gostar de ler, interpretar os textos, selecionar e filtrar o que há de bom. Esse assunto leva a outros tão abrangentes quanto e irá terminar no mais necessário de todos a educação, onde políticas imediatitas não vão levar a lugar nenhum.
    Parabéns pelo Post.

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  7. Obrigada Marília, ainda bem q vc, apesar de ter amigos gays, me compreendeu. Tmb tenho pessoas muito queridas q são gays e não queria magoar ninguém, apenas atentar para esse absurdo.

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