23 de março de 2011

Pretérito perfeito X Infinitivo

Muita gente está ficando confusa ao usar o pretérito perfeito do indicativo na primeira pessoa do singular. Ou será que a dificuldade está em usar o infinitivo? Não sei. Mas andam trocando as bolas:

"Eu sentir isso na pele." (em vez de "eu senti isso na pele")

"Agora eu conseguir entender." (em vez de "agora eu consegui entender")

Estranho, não? Mas acontece muito por aí. As regras do uso do infinitivo flexionado são, realmente, meio complicadas, mas não é esse o caso. Acho que, aqui, problema é pontual, já que só vejo acontecer na mesma pessoa, no mesmo tempo verbal e na mesma conjugação (a 3ª). É muito interessante, pois nunca vi ninguém escrever "eu estudar muito ontem", por exemplo, mas já vi muitas frases do tipo "eu sorrir muito ontem".

A solução mais simples é tentar substituir o verbo terminado em ir por outro terminado em ar. Por exemplo, se você não escreve "eu estudar muito ontem", não tem sentido escrever "eu curtir muito ontem"."Eu estudei (passado) muito ontem" e "eu curti (passado) muito ontem" são frases bem mais bonitinhas.

Engraçado, agora que estou terminando o post,  lembrei que as pessoas estão escrevendo estar no lugar de está, e também esquecem de colocar o r no final da palavra quando é preciso. Será que a dificuldade estar está no infinitivo? Humm sinto que este post vai precisa  precisar de atualização.

Uma amiga linguista (íntima de Chomsky, diga-se de passagem) disse que o fenômeno acontece porque as pessoas tendem a escrever como falam, e a verdade é que a maioria dos brasileiros não pronuncia o r no final das palavras. Por outro lado, sabem que alguns verbos terminam em r, então, trocam tudo. Colocam o r onde não devem e deixam de colocar onde devem. Sendo assim, o mais importante é tentar entender o que se fala. Fica muito mais fácil. 

Vou "acionar alguns contatos" para ver se consigo dar didática ao post. Inté!


Atualização:


Quanto ao verbo estar, pode-se usar a mesma sugestão dada sobre os verbos terminados em ir: é só substituí-lo por outro verbo terminado em ar ou er.


Quanto aos verbos que têm o r "esquecido", só consigo lembrar daqueles que fazem o futuro com o verbo auxiliar ir. Então, se você for falar sobre o futuro da forma mais popular ("eu vou fazer", em vez de "eu farei", por exemplo), lembre-se que o verbo principal permanece no infinitivo impessoal. Conjuga-se apenas o verbo auxiliar.


Eu               vou fazer
Você     
Ele               vai fazer
A gente
Nós             vamos fazer
Eles             vão fazer


Nada de "ele vai faze", "nós vamos parti" etc. Nem no msn, nem no twitter. A linguagem da internet permite muitas coisas, mas tudo tem limite.




"É importante saber, para errar com propriedade."

19 de março de 2011

16 de março de 2011

Como passei meu carnaval (final)

Ainda na semana do carnaval, conheci (conhecemos, eu e minha cunha) uma loja que há muito tinha vontade, a Adriana Barra. Pensem numa loja linda! Totalmente diferente de tudo que eu já vi. Parece uma casa de boneca. Tem sofás, tapetes, rede, estantes, objetos de decoração e, no meio disso tudo, araras com as roupas à venda. Ah! E tem também sapatos. Tudo muito colorido, estampado, lindo e... caro. Extremamente caro. Os vestidos saem, em média, por R$1.000, os sapatos idem! Mas, o que eu procurava exatamente era o PicnicDric, um cantinho, bem pequenininho mesmo, dedicado aos esmaltes. Não que eles estejam à venda, mas você pode fazer as unhas, ou somente pintá-las. Foi o que eu fiz, e já me custou bem caro, R$ 25. Detalhe: saí com os dedos manchados, pois a manicure que me atendeu não limpou direito. De qualquer forma, foi a minha oportunidade de ver de perto esmaltes de marcas chiques no "úrtimo" e caros pra chuchu. Saí de lá com as mãos pesadas por conta das duas camadas de um Chanel. Mas, querem saber? Não vi diferença entre ele e um bom Colorama hahaha. Pode ser que meu "paladar" não seja tão refinado, mas foi o que achei.

Minhas unhas com o Blue Satin da Chanel. Duas camadas é demais, esconde o azul.

Unhas de cunha, com o Splendour da Chanel. Morri de inveja dela, não vou mentir...

Fomos também ao Shopping Cidade Jardim (aquele que foi assaltado algumas vezes). Este sim, é diferente. Não tem multidão, é lindo, é chique sem ser suntuoso. Tem lojas para quase todos os bolsos. Tem Chanel, Louis Vuitton, Hermès, mas também tem Zara, M.Officer, Richards. Não é nenhuma coisa de outro mundo. Até mesmo o preço do estacionamento é compatível com o dos outros shoppings, ou seja, caro, mas é o praticado. O cinema sim, foi uma decepção. Tentamos assistir ao "Discurso do Rei", mas só estava passando na sala VIP. Perguntei à atendente sobre as vantagens da sala e ela disse que era o "serviço de bordo" (que incluía comidinhas diferentes e bebidas como Champanhe) e a poltrona reclinável. Perguntei se o valor do ingresso já incluía os comes e bebes e ela disse que não. Ou seja, a única vantagem era a poltrona reclinável. Decidimos que não valia a pena (R$ 49). Fomos almoçar num restaurante tudo de bom, o Due Cuochi, esse sim vale todo o dindin dispensado. Ele fica no jardim da cobertura do shopping e tem mesas também ao ar livre. Depois, fizemos váaaaaarias compras imaginárias. Cheguei até a cansar! Pensem num lugar que me fez sentir inserida! "Por causa que glamour eu tenho, só me falta-me a grana" hahahaha.

Jardim da cobertura.

Cunha

Restaurante Due Cuochi.

14 de março de 2011

"Thoughtcrime does not entail death: thoughtcrime is death"

Eu poderia resumir esse post em duas sentenças:
1- Não acho justo que a homofobia seja considerada crime.
2- Sou contra o "kit gay" nas escolas.

Mas, se fizesse isso, a maioria das pessoas teria uma visão simplista e me rotularia de homofóbica, conservadora e burra. Vou começar dizendo que sim, posso até ser um pouco conservadora. Mas, definitivamente, não sou homofóbica. E não digo isso por achar que o homofóbico seja um criminoso ou para fazer média com a minoria da moda. Digo, simplesmente, por se tratar da verdade. Para explicar melhor, recorro ao dicionário:

(ho.mo.fo.bi. a)

sf.
1 Psic. Aversão ao homossexual ou ao homossexualismo.

[F.: homo + -fobia.]

Não me parece nem um pouco justo alguém ser preso por isso. A liberdade de pensamento (ou de sentimento) é uma das poucas que ainda nos restam. Isso não pode acabar assim, por um decreto. É um absurdo!

Há quem diga que a homofobia em si não será punida, apenas o ato criminoso praticado em razão dela. Aí vem a minha velha e simples constatação: para a ação sempre houve penalidade. Agredir o outro física ou verbalmente é crime sim! Mas não deve ser agravado por ser contra um homossexual. Não há lógica nenhuma nisso! É algo redundante e injusto.

Li o PL 122 e vi coisas absurdas, como pena de 2 a 5 anos de reclusão a quem "impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público" (art. 8º A). Se eu entendi direito, o dono de um estabelecimento vai ter que achar de bom gosto ver um casal homossexual se beijando, se amassando e outras coisas mais que não são especificadas. "Restringir", nesse contexto, é uma palavra perigosíssima. Eu, particularmente, não acho nada elegante ver um casal heterossexual se excedendo nas carícias em público, mas é lógico que vindo de um casal homossexual é muito mais chocante. Isso não é homofobia, é apenas ausência de hipocrisia, não se enganem! Olhem só o que diz o artigo 6º: "Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: pena - reclusão de 3 a 5 anos". Quer dizer então que uma escola não pode deixar de recrutar, para dar aulas a crianças, um professor travesti, por exemplo. Hã?! O projeto ainda coíbe atos "discriminatórios de ordem moral e filosófica". Trata-se de "crimideia*"? Será isso?

Como se não bastasse o tal do PL 122, que foi desarquivado pela fanfarrona Marta Suplicy, ainda querem implantar nas escolas públicas o "Kit gay", que seria um material de apoio ao combate à homofobia. Incluso no material, está o vídeo abaixo:



Sinceramente, não sei quem nem em que esse vídeo pode ajudar. Acredito que os homossexuais passem por problemas muito mais sérios do que o uso de banheiro feminino ou masculino, o uso de esmaltes ou nome fictício. Esse vídeo faz o problema parecer menor do que realmente é. Traz questões ridículas, que ridiculariza o garoto aspirante a travesti e impõe às pessoas o absurdo de ter que aceitar tudo o que seu mestre mandar. Agora veja se os professores, além de tudo, ainda vão ter que se prestar ao papel de chamar os alunos pelo nome que eles impuserem. Então, se um aluno achar que é um cachorro, a professora vai ter que chamá-lo de Totó? Tenham a santa paciência! E os pais, será que serão avisados? Será que assistirão ao vídeo antes? E qual será o real motivo de colocar isso nas escolas?

O presidente da ABGLT, Toni Reis, diz que muitos homossexuais são vítimas de bullying, e que por isso deixam a escola (engraçado é que as universidades estão cheias de homossexuais, muitos inclusive são alunos de destaque). Agora, o que me diria Toni Reis sobre os gordos, os narigudos, os muito magros, os sardentos, os usuários de óculos e aparelho dentário? Todos são vítimas de bullying. O bullying sim, deve ser coibido, independente de quem seja a vítima. Parece-me muito mais justo. Por que uma pessoa que maltrata, que agride um homossexual é mais criminosa do que a aquela que agride um gordo ou narigudo? Por que não lançam uma campanha de respeito ao outro? Não somos todos "iguais"? Ou será que agora os homossexuais são mais iguais que os outros?

Ainda segundo Toni Reis, todos os que são contra o projeto são homofóbicos e fundamentalistas religiosos. Ou seja, ninguém tem o direito de pensar diferente dele. Como eu sou contra isso tudo, gostaria de esclarecer que não tenho aversão ao homossexualismo ou ao homossexual, portanto, não sou homofóbica. Não sou, nunca fui e acho difícil que venha a ser religiosa. Não acho que os gays vão arder para sempre no mármore do inferno. Mas acho que, da mesma forma que o homossexual tem o direito de assumir sua homossexualidade e de esculhambar com a igreja, também os religiosos têm o direito de professar sua crença, a não ser que esta agrida física ou verbalmente o cidadão homossexual (o que é totalmente diferente de criticar o homossexualismo). Ser contra ou a favor do homossexualismo é direito de todos. Não podemos agora ser punidos por nossos pensamentos.

A impressão que me dá é que há uma espécie de vingança no ar, uma revolução, que não busca em momento algum igualdade, mas inversão de valores. Querem colocar na cabeça das pessoas que o mundo é gay. Não é! O mundo é hetero, a natureza é hetero e assim permanecerá. E não há mal nenhum nisso, como querem colocar. É lógico que a homossexualidade existe, que discussões sobre o assunto são necessárias. É evidente que os gays merecem respeito tanto quanto qualquer cidadão, mas não se pode enfiar o homossexualismo goela abaixo. Pior ainda, nas escolas! Primeiro, inventaram o absurdo da máquina de camisinha e cartilha do sexo nas escolas. Depois, inventaram o crime da palmada. Agora, é o "kit gay". Quanto absurdo! E o pior dos absurdos é enquadrar o cidadão contrário a isso no "crime do pensamento".

As militâncias costumam transformar integrantes de minorias em heróis, mitos. Da mesma forma, transformam seus opositores em vilões. Não me engano com um gay engraçado que tem um ar de inocência, nem com um negro, aparentemente sofredor, vítima do sistema. O que me encanta nas pessoas é a individualidade, não o coletivo. Desta forma, posso me encantar por gays ou heteros, brancos ou negros, pobres ou ricos, mas somente por serem quem são e não o que são.

A minha maior preocupação nessa história toda não é quanto às penas, pois sei que as leis não costumam ser cumpridas por aqui. O que me preocupa mesmo é o "crimedeter**" e o "negrobranco***". Afinal de contas, eu sou uma ideocriminosa.


* Crime ideológico, pensamentos ilegais.

** "Faculdade de deter, de paralisar, como por instinto, no limiar, qualquer pensamento perigoso. Inclui o poder de não perceber analogias, de não conseguir observar erros de lógica, de não compreender os argumentos mais simples e hostis ao Ingsoc, e de se aborrecer ou enojar por qualquer trem de pensamentos que possa tomar rumo herético.Crimedeter, em suma, significa estupidez protetora."

*** "Como muitas outras palavras em Novilíngua, esta tem dois sentidos mutuamente contraditórios. Quando é aplicada a um adversário, é o hábito de se afirmar que o negro é branco, apesar dos fatos evidentes. Quando aplicada a um membro do Partido, simboliza a lealdade de afirmar que preto é branco, se isso for exigido pelo Partido. Também significa acreditar que o preto é branco, ou até mais, saber que o preto é branco, e acreditar que jamais foi o contrário."

4 de março de 2011

Para possíveis leitores intolerantes - uma introdução ao próximo post

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las." Voltaire

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