10 de novembro de 2010

Pelo motivo errado, ou "Alea jacta est"

O leitor deste blog já deve ter percebido que eu:

1. Amo São Paulo.
2. Gostaria de ter, mas não tenho, o mesmo amor pela Bahia.
3. Não gosto do PT.
4. Sou politicamente incorreta.
5. Não suporto agressividade gratuita.
6. Considero qualquer tipo de preconceito burrice, apesar de, às vezes, ser instintivo.

Agora revelo um outro ponto:

Não acho que preconceito deva ser crime. Primeiro, porque praticamente todo ser humano seria preso. Segundo, porque o preconceito em si só faz mal para quem o tem. Acredito que a má ação praticada em decorrência desse preconceito é que deve ser punida. Mas uma má ação já deve ser punida de qualquer forma, independente de ser motivada por preconceito ou não. Um indivíduo ou grupo que espanca um homossexual é tão criminoso quanto um indivíduo ou grupo que espanca um heterossexual. Sendo assim, seria desnecessário enquadrar esse indivíduo (ou grupo) por crime de homofobia, por exemplo. Bastava que fosse enquadrado nos crimes de tortura, lesão corporal, tentativa de homicídio ou algo parecido. E, por fim, a subjetividade pode fazer com que aconteçam punições injustas. Li rapidamente alguns artigos das leis e vi que elas definem como crime qualquer forma de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, classe econômica e orientação sexual. Alguns crimes são considerados mais graves se forem cometidos contra pessoas desses grupos. Ou seja, se eu for agredida, xingada ou molestada, o meu agressor sofrerá uma pena menor do que o agressor de um negro (digo, afro-descendente), ou de um homossexual (digo, homoafetivo), por exemplo. Já disse aqui que o que era para ser igualdade, virou inversão de valores. Parece-me que, na realidade, as minorias não querem ser iguais, querem ser mais. Ou melhor, querem pagar na mesma moeda. Existem muitas comunidades no orkut, por exemplo, com conteúdo "heterofóbico". Mas ninguém pode denunciar. Existem movimentos de orgulho negro espalhados por aí, mas se um branco decidir ter orgulho de sua "raça", é tachado de nazista. Tem um monte de estudante pobre falando mal da classe média, mas ninguém pode falar mal de pobre. Como se o fato da pessoa ser negra, homossexual e pobre já fizesse dela uma vítima, ainda que seja culpada.

O que me levou a escrever sobre esse tema foi o caso de Mayara Petruso, a famigerada tuiteira que falou mal dos nordestinos. É lógico que eu a considero imbecil e ignorante. Considero não, ela é. Mas o que me chamou a atenção foi que a população se voltou contra ela pelo conteúdo preconceituoso da sua mensagem, e chegaram a denunciá-la por crime de racismo, mas ninguém nem prestou atenção ao crime de incitação e apologia ao assassinato. Será que é pelo fato da lei considerar o racismo crime inafiançável e o homicídio não? Incitação ao assassinato, então, nem crime é.



Sinceramente, não vejo razão para ela ser indiciada por crime de racismo (pela apologia ao homicídio sim!). Ela é apenas uma infeliz que mostrou sua opinião sobre um povo que, certamente, não conhece. O preconceito típico. Mas, ainda assim, é a opinião dela. Eu fico aqui me perguntando se o mesmo aconteceria se um nordestino falasse mal do povo do sudeste ou do sul. Também vi comentários de ofensa a todos os conservadores, à classe média, aos tucanos, a todo o povo do sul e sudeste, como se todos fossem culpados e partilhassem da mesma opinião. Parece que este foi mais um motivo para os politicamente corretos se fazerem de vítima e clamarem por justiça. Mas, nessa defesa, podem atacar qualquer um. Sabem por quê? Porque tem uma lei que os protege. Aliás, tem uma lei que ME protege, pois sou nordestina de pai e mãe.



Por ter morado na Bahia durante muitos anos, posso dizer, com toda propriedade, que muitas coisas que falam de lá é verdade, sim senhor. O povo, definitivamente, não tem a mesma educação. E não estou falando de educação escolar, falo de educação civil mesmo. Civilidade. E isso não é preconceito, é "pós-conceito". Não que São Paulo seja ideal, mas é infinitamente melhor. Agora, dizer que nordestino é preguiçoso e vagabundo não é verdade. Os nordestinos sempre ajudaram São Paulo e vice-versa. Sempre houve uma troca. No passado, minha avó veio para cá trabalhar em casa de gente rica. Junto com ela, muitos vieram em busca de oportunidades que o nordeste não oferecia (e não oferece até hoje). Geralmente, era trabalho braçal. Ajudaram muito e, é claro, foram ajudados. Hoje, vimos (os nordestinos) para São Paulo para trabalhar em grandes empresas e, muitas vezes, liderar paulistas. E a troca continua. Nós oferecemos o nosso trabalho, nossa qualidade, nossa eficiência e eles retribuem com oportunidades, em uma cidade encantadora, onde as coisas funcionam, e pela qual todo mundo se apaixona. A agressividade gratuita de Mayara Petruso não condiz com o tratamento que recebi dos paulistanos. A mim, ela parece apenas uma mulher mal comida, de mal com a vida e ignorante. A diferença é que eu posso dizer o que penso sobre ela. Ela não pode fazer o mesmo porque, lembrem-se, sou nordestina.

Quanto ao Bolsa-família, é lógico que ajudou a eleição de Dilma e é lógico que o nordeste recebe mais porque é mais pobre. Mas tem muita gente que recebe o bolsa-família por preguiça sim! E não é só no nordeste. Tem muito paulista mamando também. Sabem por quê? Porque a desonestidade está no DNA do brasileiro. Espero, sinceramente, não ser presa por causa desse post. Tem muita gente por aí que deveria ir antes de mim (momento dramático hehehe).

Quanto a mim, NÃO tenho orgulho de ser nordestina, NÃO tenho orgulho de ser mulher, NÃO tenho orgulho de ser heterossexual, NÃO tenho orgulho de ser branca, NÃO tenho orgulho de ser brasileira. Pertencer a estas classes, pura e simplesmente, não faz de mim uma pessoa melhor. Esses orgulhos idiotas só fazem a gente se distanciar do que realmente importa: o caráter, os valores.

Vamos usar a democracia de forma inteligente. Vamos dizer tudo o que pensamos de forma fina, polida. Elegância sempre é tendência!

4 comentários:

  1. Vc escreveu muito bem, concordo em vários pontos. Pena que a maioria escracha mas não evolui com assuntos que mereceriam maiores debates e aprofundamentos.
    Gostei do seu blog, só faltou o cheiro do café que eu amo.
    Como vc me encontrou ?
    Abraço.

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  2. a campanha do comentemais fez efeito
    rsrsrsrs
    Sou Baiana (com muito amor)e em parte você tem razão. Não dar para defender os nordestinos massacrando o pessoal do sul e sudeste. Mas mostrar alguns contrastes como as funkeiras e Gilberto Gil.

    Acredito que a tal troca que você fala não seja tão simples assim. Com certeza as pessoas que saem do nordeste lucram em ir para São Paulo (não todos), mas sabemos que o salário pago a essas pessoas muitas vezes é abaixo do respeitável.

    Desonestidade não estar no caráter do brasileiro. Os brasileiros não são os únicos desonesto existentes por aí.

    Com relação ao penúltimo parágrafo ainda estou refletindo.
    rsrsrsrsrs

    Mas Parabéns pelo blog, e me perdoe se fui ofensiva por favor não me denuncie.
    (brinks)
    rrsrsrss

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  3. Gabriele,

    Comente sempre! Seja pra concordar ou discordar rsrsrs.

    Recebi um e-mail comparando tudo o q o nordeste ofereceu de bom p/ a nossa cultura com tudo o q o sul e sudeste ofereceram de ruim e não achei uma comparação justa e honesta. Afinal de contas, sabemos q o sudeste não é só funk e q do nordeste tmb saiu e sai muita porcaria, não é verdade?

    Os salários pagos aos nordestinos em SP com certeza são bem maiores q os salários pagos no nordeste. Tanto é q é muito difícil vc encontrar um nordestino aqui q queira voltar.

    Sobre a desonestidade do brasileiro, bem, é realmente uma opinião pessoal, construída com o tempo. Mas vc tem razão quando diz q nem só os brasileiros são desonestos. Acontece q, aqui, a desonestidade não parece ser tão má. É cultural. Isso é o q me preocupa.

    Adorei seu comentário. Espero q leia sempre e comente sempre. Concordando ou discordando, mas sempre acrescentando.

    Beijinho

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  4. Sou brasileira, baiana, soteropolitana e não me orgulho de nenhum dos três, aliás não sou a favor de fronteiras, sou a favor de culturas e conhecimento, isto de sul, norte, quinto dos infernos, para mim tanto faz, por que dignidade e sabedoria não está em uma região ou em um lugar especifico, também concordo que qualquer tipo de violencia é crime não importa qual a causa e para mim ficar discutindo quem é melhor que quem, pelo amor de Deus se for falta do que fazer, procura um orfanato, pra ler historinhas para as crianças, um azilo para ouvir as historias dos velhinhos, vai arrecadar onus para uma creche comunitaria, ou simplesmente VAI ESTUDAR!!!!!!!!!!! em vez de ficar falando besteira!!!!!!

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