8 de setembro de 2010

Bandido bom é bandido morto

Domingo, na tentativa de fugir do programa Hipertensão da Rede Globo (a melhor TV do Brasil, mas que às vezes me inventa cada uma...), resolvi mudar para um canal que nunca assisto, a Record, e me deparei com o filme TROPA DE ELITE. Decidi assistir pela segunda vez.



Já tinha me esquecido do quanto o filme é bom, bem feito e com atuações excelentes. Mas, apesar disso, foi muito criticado na época por seu conteúdo violento. Eu, particularmente, não vi nada que já não tivesse visto nos filmes de ação americanos. Por que será que causou tanto espanto? Talvez por retratar a nossa realidade. Drogas, armas, policiais corruptos e Rio de Janeiro é mais verossímil para nós do que drogas, armas, policiais corruptos e Nova Iorque. A mudança de local faz com que o policial honesto seja mais cruel, o bandido seja mais vítima do sistema e o policial corrupto seja apenas alguém sem escolha.
Chegaram a "acusar" o roteirista e diretor José Padilha de reacionário. Mas ele tratou logo de esclarecer a situação, dizendo que o objetivo do filme era justamente o oposto, ou seja, o Capitão Nascimento é alguém que age de forma errada, é um exemplo a não se seguir. O próprio Wagner Moura disse que se fosse na Suécia ou na Finlândia, o personagem jamais cairia nas graças do público. Talvez por eles não precisarem de um Capitão Nascimento, não é? Talvez por que eles não sejam um povo tão sedento de justiça e honestidade.

Esse pessoal que diz que o Capitão Nascimento é um personagem que não deveria existir na vida real tem que apresentar uma alternativa melhor para lidar com bandido. Para mim, bandido bom é bandido morto. Não interessa se ele teve uma infância difícil. Como disse meu amigo Machadão, "a ocasião faz o furto: o ladrão nasce feito". E tem mais, para mim, não somos todos iguais. Existem seres humanos melhores que outros. Tratar todos da mesma forma é ser injusto com quem faz a coisa certa.


Adorei o filme e o vi da maneira politicamente incorreta mesmo. Adorei ver maconheiros e pequenos traficantes vestidos de branco em passeata pela "paz". Adorei ver a "consciência social" achar legal ser amigo de bandido e depois se ferrar nas mãos dos próprios.


Quero a turma do Capitão Nascimento tomando conta do Brasil. Ah! E se quiserem um filme que dá um excelente exemplo a não se seguir, recomendo "Cazuza - O tempo não para".

2 comentários:

  1. Caracas, nessa achei você muito radical, eu gostaria de não precisar de um capitão nascimento, e sempre vou bater na tecla educação, onde nosso país é precário e acredito que é por isso que está na situação que está, sem contar que existem muitos psicopatas onde acho que o nosso sistema não saiba lidar com esse tipo de anomalia, e aí entra o sistema carcerário, políticas publicas...Tudo é precário, espero que um dia tudo isso mude.
    Mas temos filmes bons como: o que é isso companheiro, o auto da compadecida, abril despedaçado, acontece que realmente não temos um filme onde temos um herói, um ícone, ainda não fizeram um filme de boa película, sobre algum de nossos heróis, se já eu não lembro.

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  2. Concordo c/ vc q a educação resolveria a maior parte dos nossos problemas. Mas, ainda assim, teríamos gente ruim, assassinos e criminosos de um modo geral. Se a criminalidade fosse causada somente pela falta de oportunidade e de educação, todos os pobres e analfabetos seriam bandidos. Há mais coisas a se considerar.

    Mas vc tem razão, sou radical mesmo nesse assunto. Não há quem me faça entender o fato de Fernandinho Beira-Mar ainda estar vivo. hehehe

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