28 de agosto de 2010

A irresponsabilidade quer ser um direito garantido por lei

O fato de ter encontrado um número grande de movimentos pró-aborto na internet me impressionou, e me levou a procurar conhecer os argumentos desses movimentos. Comecei a procurar em comunidades do Orkut e no Google e os argumentos são, basicamente, estes:
  • O aborto teria que ser uma opção da mulher, já que ela tem direito de exercer sua liberdade sexual, conquistada com tanta luta.
  • As mulheres estão morrendo porque têm de recorrer a clínicas clandestinas, sem cuidados com a higiene e com profissionais desqualificados.
  • Seria melhor fazer um aborto do que não dar uma vida digna à criança.
  • Os adolescentes teriam que abandonar sonhos para cuidar dos filhos.

Parece brincadeira, mas são esses argumentos vazios, inconsistentes, que estão fazendo a cabeça das pessoas. Eu amo a liberdade. Não tem coisa melhor do que ser livre. Mas existe algo que vem sempre junto com a liberdade: a responsabilidade. Acontece que todos querem ter liberdade, mas ninguém quer assumir as consequências de seus atos.

A mulher quer liberdade sexual, acho ótimo. Existem muitos métodos contraceptivos à disposição no mercado com quase 100% de eficácia, que garantem à mulher o direito de fazer da sua vida sexual o que bem entender. E todo mundo sabe, não tem como contestar. Arrisco dizer que todas as mulheres que recorrem ao aborto ilegal sabem exatamente o que deveriam ter feito. Pois bem, elas vão a essas clínicas, são mal cuidadas e, por vezes, morrem. Coitadas! Mulheres que sabiam muito bem as consequências de ter uma relação sexual sem usar nenhum método contraceptivo não podem morrer. Fetos que não pediram para ser feitos podem morrer, não tem nada demais. O engraçado é que essas pessoas, geralmente, são as mesmas politicamente corretas que são contra a pena de morte para assassinos, estupradores, torturadores, traficantes, e são as mesmas que aparecem por aí defendendo as criancinhas das palmadas dos pais opressores e covardes.

Os outros argumentos têm a ver com essa nova moda de liberar geral, fazer o que der na telha, e dane-se o resto, o importante é ser feliz. Quando alguém abre a boca para dizer que não é justo um jovem ter que desistir dos sonhos para cuidar de um filho, está incentivando a irresponsabilidade. É claro que é justo ele desistir do sonho. Ele tem que assumir as consequências de ter usado sua liberdade sem sabedoria. O que não é justo é um inocente pagar por isso. Se a família não tem condições, dá-se um jeito, existem alternativas. Matar um bebezinho jamais pode ser opção.

Se o aborto for legalizado no Brasil, ao contrário do que dizem, o número de cirurgias vai crescer absurdamente. Não existe maior incentivo do que esse. É como legalizar as drogas. Se o povo já consome tanto hoje, imagine se puder comprar no bar da esquina?

Não é fácil cuidar de uma criança, é muito mais fácil ser inconsequente, eu admito. Não tenho nada contra os inconsequentes, desde que sua irresponsabilidade atinja somente a eles. Enfim, se você não tem dinheiro para comprar comida para seu filho ou, simplesmente, não quer ter um filho, não engravide. Use algum método anticoncepcional. Faça abstinência sexual. Mas não mate um ser que você própria criou.

5 comentários:

  1. Sempre que alguém diz "'é melhor uma mulher pobre abortar o filho do que não ter como criá-lo", eu penso:

    — Essa pessoa teria ME matado.

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  2. apoiadoo
    concordo em tudo q vc escreveu
    parabéns
    blog mt criativooo
    já toh seguindooo

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  3. Oie, tá bem legal teu blog, adorei!
    Estou seguindo aqui, segue o meu tbm?

    http://livreelouca.blogspot.com/

    Beijos.

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  4. Assino embaixo, Rafa. Parece que você tirou as palavras da minha boca. Esses argumentos a favor do aborto sempre foram inconsistentes e, com a invenção da pílula do dia seguinte, ficam mais difíceis ainda de engolir. Mas o cúmulo do absurdo é as feministas de plantão sustentarem que se os homens engravidassem, o aborto seria um direito há muito tempo. Como se a proibição de um assassinato fosse um preconceito contra a mulher. E a irresponsabilidade que você cita, um sinal de nossa igualdade aos homens. Prefiro ser diferente, é mais digno.

    Parabéns pelo post. =*

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  5. eu até acho que o aborto deveria ser legalizado, porque camisinha pode estourar, pílula nem sempre funciona 100% (alguém aí ainda lembra do Microvlar?), enfim... às vezes o cara toma todas as medidas cabíveis e acaba engravidando mesmo assim, e esse pensamento, pra alguém que absolutamente não quer ter filhos, como eu, é aterrorizante.

    mas concordo plenamente que com a liberdade vem a responsabilidade. e também acho que casos como o que eu descrevi aí em cima são raros e não seriam só essas pessoas a procurar um aborto. sou capaz de apostar que ia ter mulher abortando uma vez por mês, aborto viraria "método anticoncepcional" e aí não dá. minha opinião sobre a legalização do aborto é igual à minha opinião sobre o voto deixar de ser obrigatório: enquanto os brasileiros não tiverem um pouco mais de consciência sobre as coisas (e noção também), não vai dar certo. eu só me pergunto é se esse dia um dia vai chegar...

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