21 de maio de 2010

Educação Moral e Cívica

A violência entre cidadãos comuns, ou seja, aqueles que não são considerados bandidos, aumenta mais do que a violência dos bandidos contra a população nas grandes cidades.


Isso não é surpresa para mim. Há muito tempo venho notado uma tendência das pessoas em lutar pelos seus direitos de forma questionável, em abominar a idéia da omissão, da falta de personalidade (leia-se gênio forte e histeria), em querer aparecer mais e ser mais do que o outro. Isso é o que conta hoje em dia. Houve uma inversão de valores. Aquele que tenta lidar com o outro de forma diplomática e civilizada, respeitando e tolerando as diferenças é o típico idiota do século XXI, é um cidadão sem expressão, sem personalidade. Como já havia mencionado em outro post, a moda agora é dizer que fala tudo NA CARA (que pretensão, hein? Quem disse que a sua opinião é assim tão importante?), que não importa o que os outros pensam sobre você, tem até uma frase (constantemente repetida) RIDÍCULA que diz: “falem bem ou mal, mas falem de mim”. Será que as pessoas que dizem isso param realmente para prestar atenção no sentido da frase? Será que alguém tem essa necessidade tão grande de aparecer de qualquer forma a ponto de querer ser vítima de maledicência?


Pois bem, essa semana, duas pessoas morreram por causa de uma briga de vizinhos que teve como causa um saco de lixo na calçada. Como é que pode? São duas vidas humanas! Será possível que nossa vida não valha mais do que um saco de lixo? O pior é que esse é apenas um de muitos casos de brigas entre cidadãos “comuns” que terminam em morte. Falta educação, e não é de física, química, português e matemática que eu estou falando. As escolas perdem muito tempo ensinando coisas inúteis, sim, porque até hoje nunca precisei utilizar o valor de PI, nem aquelas fórmulas loucas de física para nada na minha vida. Não, não sou contra o ensino dessas disciplinas, só acho que este ensino deveria ser voltado para as coisas práticas do dia a dia, depois, os alunos que se identificassem com essa ou aquela área poderiam se aprofundar nos assuntos mais específicos. Na minha época de criança, existia (além de todas as disciplinas que existem hoje) uma disciplina chamada “EMC – Educação Moral e Cívica”, até hoje não entendi por que excluíram uma matéria tão importante como essa do currículo. O nome já diz tudo, tínhamos noção de moral e CIVILIDADE, coisas essenciais para se viver em sociedade. Já que não podemos contar com os valores morais dos pais e o bom-senso comum, o governo tem a obrigação de ensinar isso nas escolas. Isso é mais importante do que QUALQUER conhecimento técnico sobre qualquer coisa.


Cada indivíduo é apenas 1 dos milhões de habitantes das grandes cidades. Não estamos sozinhos, não podemos fazer tudo o que der na telha (mesmo coisas lícitas), quem quiser isso tem que morar isolado no meio do mato. Há que se respeitar o OUTRO, afinal de contas, nós também somos o outro para alguém. Não estou dizendo que não devemos lutar pelos nossos direitos, reivindicar, discutir, contestar, muito pelo contrário. Só acho que tudo isso pode ser feito de forma civilizada, cordial, polida, fina. E isso vai de assuntos pessoais a coletivos. Muitas vezes, dar o exemplo faz mais efeito do que começar uma discussão. Muitas vezes também, as pessoas teimam em discutir por qualquer coisinha, só pelo prazer de discutir ou, quem sabe, para extravasar a raiva por uma noite mal comida, digo, mal dormida. Se a pessoa é amargurada, mal amada, estressada, ninguém tem nada a ver com isso. Temos que aprender a separar as coisas.


Enfim, se um relacionamento em família já é difícil e desgastante, imagine um relacionamento com milhões de pessoas? É claro que não pode ser fácil! Acredito que as dicas para um bom relacionamento no casamento sirvam também para a vida em sociedade: RESPEITO, TOLERÂNCIA, RAZOABILIDADE, CESSÃO, MALEABILIDADE. Acho que esse é o verdadeiro e tão falado “amor” ao próximo. É claro que se isso tudo for feito com prazer, fica bem menos difícil. Agora, se a pessoa achar que não tem a obrigação de respeitar, tolerar, racionalizar, ceder ou ser maleável... para os casais, existe o divórcio, para os cidadãos, resta o mato.





6 comentários:

  1. Olá Rafaela tudo bom? Obrigado por me seguir e também pelo comentário na comu. Vou te seguir tbm, e vou voltar mais vezes pra ler seu textos, parece ser muito bom. rsrsrs. Agora eu to sem tempo... Xau bjoo.

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  2. muito interessante o blog :)

    tô seguindo, me segue ? http://maahamaraal.blogspot.com/

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  3. Rafa

    Se é para tirar algo de bom das coisas eu prefiro raciocinar que esse seja o caminho natural de apenas uma pequena parte da humanidade, voltando às suas origens animais e instintivas. Ai você pergunta o que há de bom nisso. Aparentemente nada mas repito que apenas uma parte das pessoas está regressando por esse caminho. Há notícias muito boas e animadoras, especialmente em relação ao comportamento jovem. A nova geração está demonstrando mais tolerância, está mais criativa e menos preocupada com aparências. Mesmo parecendo ainda um pouco superficial, está mais viva na internet, buscando contatos com outras culturas e as pessoas dessas culturas. O acesso a recursos digitais cada vez mais democráticos está estimulando a criatividade dos jovens. Há novos espaços pra expressão, isso traz novas possibilidades de contatos com coisas novas e diferentes, com pensamentos diversos e assim as pessoas vão ficando mais interessadas nas outras pessoas e nos estímulos que suas diferenças trazem.
    Dessa maneira apenas uma parte dos humanos, ainda fincados num mundo antigo e que regride constantemente, está preocupado em matar por lixo. Assusta uma notícia dessas mas anima ver que acontece na maioria das vezes entre pessoas velhas (de mente velha), não encantas com as possibilidades do novo mundo que estão pipocando a cada instante por ai. Os jovens estão correndo atrás desse novo e estimulante mundo sem fronteiras.
    Ai tem pais que estão criando seus filhos de forma errada, sob princípios ultrapassados de levar vantagem acima de tudo, de padrões de beleza, de preconceitos de cor e religião, etc. Lamento por eles pois esses seus filhos estão tendo a bela chance de comparar as normas dessa criação jurássica com web cams que mostram outra realidade. Nelas estão gays, negros e muçulmanos legais, gente fina, divertidos e amigos. Se lenharam esses pais idiotas e venceu a diversidade amparada pela democracia dos bites! Viva!
    Isso me encanta e me faz ter um pouco de pena dessas pessoas que ainda estão presas a sacos de lixo de vizinhos. Mas quero que, de alguma forma, elas se vão logo, se matando ou morrendo naturalmente, mas que se piquem e deixem o mundo pra os jovens que estão ai.

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  4. Infelizmente as coisas ainda vão piorar... é lamentável.
    Bj

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  5. Zazo,
    Tomara q vc esteja certo. Eu estou ficando muito pessimista em relação aos seres humanos... Uma geração tolerante é tudo o q o mundo precisa p/ viver em paz.
    Concordo com sua última frase, se desse p/ fazer uma limpa p/ "separar o joio do trigo" seria bom d+!

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  6. Putz, essa era a disciplina, quando entrei no colégio já não havia, mas meu pai tinha livros sobre o asunto, e adorava ler, é triste por que o governo não quer que as pessoas aprendam, criem a capacidade de formar consciência, mas deveria voltar esta materia, como também existir uma disciplina sobre educação sexual, politica. Eu tenho um sonho bem utopico de como seria a educação no Brasil, e pretendo fazer a minha parte já que não posso contar com todos eles.

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