7 de abril de 2014

Tango, champanhe e surpresas

Todo turista deveria assistir a um espetáculo de tango. É melhor ir a Roma e não ver o papa do que ir a Buenos Aires e não ver o tango.
 
Aproveitamos a semana sem crianças para irmos. Pedimos a opinião dos locais sobre o melhor espetáculo, já que as opções eram muitas, e todos nos aconselharam um tango mais tradicional. Escolhemos o Tango Porteño. A experiência inclui jantar, traslado e o show em si, tudo por 100 dólares em média. Caro para os homens, barato para qualquer pessoa depois que vive a experiência.
 
O motorista foi muito pontual, nada simpático, mas pontual. Chegando ao teatro (que fica na av. 9 de Julho, pertinho do Obelisco), fomos  recepcionados por uma moça vestida a caráter que nos levou à nossa mesa. O teatro é dividido mais ou menos assim: palco, uma pista que estava arrumada com mesas compridas postas apenas para bebidas, um andar intermediário com mesas postas para jantar e um andar superior que não tive acesso, mas acredito que não tivesse mesas postas. Pois bem, a moça nos levou a uma mesa na lateral desse andar intermediário. A mesa estava posta para quatro, o que indicava que teríamos companhia. Já estávamos sentados, imaginando quem seriam nossos vizinhos quando percebemos uma movimentação diferente entre os garçons. O maitre deu sinal para um deles, que foi à nossa mesa se desculpar e dizer que teria uma mesa mais bem localizada, centralizada e posta só para dois. Não entendemos direito o porquê, mas fomos. A ideia de ter vizinhos não tinha me incomodado, mas não tê-los seria ainda melhor. Agradecemos e procuramos saber como seria o jantar. O garçom nos explicou que teríamos uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, além de vinho, cerveja, refrigerante e água à vontade. Carlos me olhou com um ar de desconfiança e me perguntou o que teríamos de especial para que houvesse tal movimentação para mudarmos de mesa. Eu sugeri que ele relaxasse e aproveitasse a noite.
 
Nesse meio tempo, um casal vestido a caráter passava de mesa em mesa para que todos tirassem fotos na pose típica do tango. A minha ficou horrível, não consegui fazer a perninha... Nos sentamos novamente e eu escolhi para tomar um vinho tinto, of course. Carlos me acompanhou. Quando ainda estávamos na primeira taça, eis que surge Federico, o maitre, puxando conversa sobre futebol e nos oferecendo champanhe. Carlos me olhou com uma cara assustada, como quem diz: isso não está incluso no pacote. Eu olhei de volta e pensei: não me ofereça champanhe que eu não sei dizer não. E, lógico, aceitei.  Quando o garçom terminou de servir, Carlos tinha a certeza de que pagaríamos uma fortuna por aquilo tudo. Eu estava totalmente relaxada. Pensei: deve ser uma taça de "regalo". Tomei o primeiro gole, dei uma olhada discreta para as outras mesas e surpresa! Nós éramos os únicos a beber champanhe. Comentei com Carlos e ele disse: meu Deus! Eles estão nos confundindo com alguém! Confesso que por um momento eu também pensei nisso, mas me limitei a dizer: relaxe, isso tudo é porque nós somos os mais bonitos. Carlos tomou coragem, chamou o garçom e perguntou: por que nós? Ao que o garçom respondeu: eu não sei quem vocês conhecem, mas recebi ordens do Federico. E o Federico, de longe, fazia sinal de positivo com a cabeça. Antes que pudesse voltar para o tinto, o garçom encheu novamente minha taça de champanhe e assim o fez durante toda a noite.
 
Depois do jantar, que estava maravilhoso, pensei: já valeram os 120 dólares. Carlos pensou: uma hora vamos ter que pagar essa conta. Então, começou o espetáculo. Lindo! Quadros alternados de dança em grupo, em dupla e cantores solistas com orquestra sempre presente. Não quero entrar em detalhes para não estragar a surpresa de quem ainda não viu, pero bueno, estoy encantada... As canções são lindas (já conhecia a maioria, pois meu pai me fazia escutar desde criança), a orquestra perfeita, os cantores super afinados e a dança... A dança é uma mistura de drama com sensualidade, com leveza... parece balé, parece teatro, parece sexo. Nossa, é lindo demais, arrepiante, estimulante, excitante...
 
Quando o show acabou, veio a conta e, surpresa! Iríamos pagar ainda menos do que estávamos pensando. Que maravilha! Aquilo tudo não teria passado de gentileza...
 
P.S.: a saída não foi muito elegante. Estava muito apertada porque não tive coragem de me levantar a noite toda: champanhe + salto alto são uma combinação muito arriscada pra mim. Carlos bate na porta do banheiro dizendo que o motorista, aquele super 'simpático', bradava meu nome do lado de fora. Nada phyno.
 
:-) artistas espetaculares
:-) lugar lindo
:-) jantar delicioso
:-) atendimento sensacional
 
:-| tá, não era champanhe champanhe, mas era um bom espumante
 
:-( tenho certeza de que a Argentina tem vinhos melhores
 
Post escrito no café Caffeine. Esquina das ruas Mendoza e Conesa, em Belgrano.






2 de abril de 2014

O portenho II - o garçom

Na maioria das vezes, os garçons foram tão simpáticos quanto os taxistas. Na maioria das vezes, porque sempre tem aqueles que fazem a dieta do limão e vivem azedos. Garçons também podem ser ótimos consultores. Aproveitamos um deles, o Diego, para perguntar sobre os melhores bairros para morar, por exemplo.
 

Outro garçom, cujo nome não me recordo, era um entusiasta do futebol brasileiro, quem diria... Sabia o nome de mais jogadores do que eu. Na troca do seu turno, ele nos apresentou o garçom que nos serviria a partir dali. Não lembro o nome também, só lembro que este dizia que o Riquelme era o melhor jogador do mundo (?). Bueno, qual não foi a nossa surpresa quando o garçom saiu do banheiro com uma camisa que estampava a bandeira do Brasil! Perguntou se estava bem e saiu cantarolando...
 
Mas o melhor garçom de todos foi o Federico, só que esse fica pra outro post.
 
:) a maioria sabe o nome dos pratos em português
:) são simpáticos e amistosos

:( podem ser muito lentos...

Post escrito no restaurante Club de la Milanesa, esquina das ruas Juramento e Conesa, em Belgrano.

O portenho I - o taxista

O primeiro portenho com quem tive contato foi o taxista que nos levou ao hotel, onde ficaríamos durante uma semana à procura de apartamento. Muito simpático, ele começou a nos ensinar um pouco da língua. Foi então que eu aprendi que "yo" era uma mistura de "xô" com "jô", e não o "djô" que costumava falar, pelo menos não aqui. Logo emendou um papo sobre futebol, o que ocorreu com 90% dos taxistas que pegamos, e demonstrou uma certa admiração pelo futebol brasileiro (pois é...).
 
De modo geral, eles foram muito amistosos e muito atenciosos. Sei que a fama do taxista portenho não é muito boa. Recebi até algumas recomendações sobre dinheiro falso. Não duvido que aconteça, mas graças a Deus ainda não aconteceu comigo.
 
Mas o que eu mais gosto dos taxistas portenhos é que eles são ótimos guias (turísticos/culturais/gastronômicos). Recebi várias dicas sobre o que fazer com as crianças nos finais de semana, aonde ir nos feriados, onde comprar mais barato, onde comer bem, onde devemos andar mais atentos por conta da violência etc. O taxi aqui já é mais barato do que no Brasil e ainda levamos um guia de "regalo".
 
:) são divertidos
:) prestam consultoria gratuita
:) conhecem o destino pelo nome e número da rua
 
:( não hablam despacio
:( ligam o rádio sem perguntar
:( podem falar um pouco demais
 
 
Post escrito no restaurante Club de la Milanesa. Esquina das ruas Juramento e Conesa, em Belgrano.
 
 
 
 

21 de março de 2014

Conexão Buenos Aires

Hola, muchachos!
 
Pois é, sumi por anos e estou voltando à ativa. Já que estou morando em Buenos Aires e o que não falta por aqui são cafés, resolvi mudar temporariamente o nome do blog. Farei posts sobre as minhas impressões e alguns detalhes curiosos do dia a dia da cidade. Como nem sempre a primeira impressão é a que fica, minha opinião pode ir mudando com o tempo, mas vou deixar tudo registrado.
 
Espero que tenham uma boa viagem! Até o próximo post!
 
 
Post escrito no Café Martinez, esquina das ruas Zapiola e Juramento, no bairro de Belgrano.
 



21 de maio de 2013

Eu quero, eu posso! Só não me peça para pagar a conta...

A educação está em coma. Prefiro acreditar que ainda há chance do quadro se reverter, já que existem raros casos de coma que duram anos a fio e culminam na volta do paciente à vida. Os educadores (pais incluídos) deseducados criam e alimentam pequenos monstros cheios de soberba e nenhum senso de responsabilidade. O lema é: eu quero, eu posso! Porém, se algo der errado, a culpa não é minha.

Lembro-me sempre do meu pai dizendo: "no meu tempo, criança não ouvia conversa de adulto. No meu tempo, criança não emitia opinião. No meu tempo, bastava um olhar dos pais para que a criança soubesse seu lugar." Tudo funcionava muito bem, até que alguém resolveu que a criança era um ser humano com vontade própria e que deveria ter seus desejos ouvidos e analisados. Até aí, uma tentativa admirável e bem intencionada de equilíbrio. Acontece que já atingimos o vértice da parábola  e a tendência agora é de queda livre com pouca ou nenhuma resistência do ar.

As crianças já chegam ao mundo impondo suas regras. "Mudem tudo de lugar porque eu não gosto dessa decoração!" E lá vai o mundo se reorganizar para satisfazer os caprichos dos infantes. Começa em casa. Aliás, começa e termina em casa, mas não é diferente na sala de aula. No meu tempo de escola, na tal fase da transição, quando já haviam abolido a palmatória mas ainda havia alguma noção de disciplina e hierarquia, só passava de ano quem aprendesse a matéria e tivesse bom comportamento. O professor tinha autonomia para fazer argüições sem aviso prévio; havia, no máximo, dois ou três alunos indisciplinados por turma; e os alunos morriam de vergonha ao tirar uma nota baixa. Hoje, alunos educados são exceção; ter vergonha na cara é super careta; e o professor não pode, de forma alguma, aplicar um teste surpresa. Ao invés disso, ele deve elaborar as provas de modo que a distribuição dos pontos beneficie sempre aqueles que não sabem tanto assim. Afinal de contas, se eles não sabem, a culpa é do professor que os persegue ou não explica direito; a culpa é da escola sem estrutura, do sistema capitalista opressor, do Papa retrógrado, mas nunca, nunca deles.

Recentemente, uma aluna me me chamou de vadia nas redes sociais da internet porque eu tinha dado nota zero a um trabalho que ela não fez. Ora, se a infanta conhecesse só um pouco do vernáculo, saberia que ela atribui a mim uma qualidade que, pelo menos no caso em questão, pertence a ela. Tudo bem, eu sei que seria exigir demais de uma garota de quinze anos. Contudo, esse exemplo ilustra bem a mentalidade contemporânea: total direito à escolha, à liberdade + isenção diretamente proporcional de responsabilidade. Esta menina é mais uma cria desse binômio perigoso, para não dizer letal.

Precisamos de números! Quadruplicamos o número de alfabetizados! Nossa, como vocês são bons em matemática! Que beleza de país! Eu ri da Regina Duarte, mas quem está com medo agora sou eu.
O mais triste é que além do governo, pais e escolas também querem números. Números e elogios, por favor! "Quem você pensa que é para fazer uma crítica ao meu filho se eu mesmo não faço?" "Ele não aprende porque tem problemas na família, coitadinho, os pais se separaram há 3 anos." "Ele tem laudo. Trata-se de uma doença psicológica que não o deixa prestar atenção às aulas, faz com que ele converse o tempo todo e responda à professora, além de tirar notas muito baixas." " Tem como você fazer alguma coisa para ajudá-la?" Ou seja, os próprios pais almejam a mediocridade cultural e intelectual dos filhos. Pode existir uma situação mais infeliz para a educação? A questão é ainda mais grave porque esses pensamentos ultrapassam os limites das escolas e das residências e é disseminado por todos os campos e cantos da sociedade. A ordem é nivelar por baixo. Para isso, seguimos mudando conceitos e valores. Já viramos répteis. 

Os jovens se tornaram tiranos inconsequentes de cabeça oca, doutrinados a satisfazer seus desejos a qualquer custo, apoiando-se na garantia de que a conta nunca será paga por eles. Pensando bem, como culpá-los?


24 de novembro de 2011

2 de setembro de 2011

Crianças dominam a lógica

Algumas semanas após o meu primogênito conhecer a história do Pinóquio, ele me pergunta, um pouco preocupado: 
"Mamãe! Meu nariz 'tá crescendo?" 
Eu respondo: "O nariz só cresce quando a gente mente. Você mentiu?"
"Não." 
"Então, não precisa se preocupar." 
"Mamãe!" 
"Diga." 
"Você mentiu muito quando era criança, né?"

14 de agosto de 2011

Feliz Dia dos Pais!




Um passarinho me acordou cedinho
cantando lindo que nem rouxinol
e o céu sorrindo azul
azul limpinho
abriu caminho pra passar o sol
Um dia lindo com todas as cores
o arco-íris garantiu que sai
e o bem-te-vi disse que viu as flores
vindo enfeitar o dia do papai
Amigo velho
Eu queria falar
Meu velho amigo
Foi tão bom te encontrar
Amigo velho
Eu te amo demais
Meu velho amigo
Todo dia é dos pais
Eu convidei o gato
E o cachorro
Nem um amigo
Vai poder faltar
Super-herói, também
Tarzan e o Zorro
E o pererê não vai poder mancar
Vai ter pelada
E muita brincadeira
Toda alegria vem nos visitar
Queria tanto
Que esta festa inteira
Fosse um presente
Pra poder te dar.
Amigo velho
Eu queria falar
Meu velho amigo
Foi tão bom te encontrar
Amigo velho
Eu te amo demais
Meu velho amigo
Todo dia é dos pais


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